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Qual é a sua?
sexta-feira, agosto 06, 2010
Não confio em gente que
Não gosta de criança.
É brigado com todos os ex-namorados.
É amigo de todo mundo.
Sempre diz que tudo está bom.
quinta-feira, agosto 05, 2010
Instinto
A vida é um eterno amanhã

"Amanhã" significa, entre outras coisas, "nunca", "talvez", "vou pensar", "vou desaparecer", "procure outro", "não quero", "no próximo ano", "assim que eu precisar", "um dia destes", "vamos mudar de assunto", etc. e, em casos excepcionalíssimos, "amanhã" mesmo. Qualquer estrangeiro que tenha vivido no Brasil sabe que são necessários vários anos de treinamento para distinguir qual o sentido pretendido pelo interlocutor brasileiro, quando ele responde, com a habitual cordialidade nonchalante, que fará tal ou qual coisa amanhã. O caso dos alemães é, seguramente, o mais grave. Não disponho de estatísticas confiáveis, mas tenho certeza de que nove em cada dez alemães que procuram ajuda médica no Brasil o fazem por causa de "amanhãs" casuais que os levam, no mínimo, a um colapso nervoso, para grande espanto de seus amigos brasileiros - esses alemães são uns loucos, é o que qualquer um dirá.
A culpa é um pouco dos alemães, que, vamos admitir, alimentam um número excessivo de certezas sobre esta vida incerta, número quase tão grande como a quantidade exasperante de preposições que freqüentam sua língua (estou estudando "auf" e "au" no momento, e não estou entendendo nada). São o contrário dos brasileiros, a maior parte dos quais não tem a menor idéia do que estará fazendo na próxima meia hora, quanto mais amanhã.
Talvez tudo se reduza a uma questão filosófica sobre a imanência do ser, o devenir, o princípio de identidade e outros assuntos do quais fingimos entender, em coquetéis desagradáveis onde mentimos a respeito de nossas leituras e nossos tempos na Faculdade. No plano prático, contudo, a coisa fica gravíssima. Se o Brasil tivesse fronteiras com a Alemanha, não digo uma guerra, mas algumas escaramuças já teriam eclodido, com toda a certeza - e a Alemanha perderia, notadamente porque o Brasil não compareceria às batalhas nos horários previstos, confundiria terça-feira com sexta-feira, deixaria tudo para amanhã, falsificaria a assinatura oficial no documento de rendição, receberia a Wehrmacht com batucadas nos momento, mais inadequados e estragaria tudo organizando almoços às seis horas da tarde.
Falo por experiência própria. When in Rome do as the Romans do ditado que deve ter uma versão latina muito mais chique, mas, infelizmente, não disponho aqui de meus livros de citações, para dar a impressão aos leitores de que leio Ovídio e Horácio no original. Mas, em inglês ou em latim, acho esse um pensamento de grande sabedoria e procuro segui-lo à risca, na minha atual condição de berlinense, tanto assim que, não fora minha tez trigueira e meu alemão abestalhado, ninguém me distinguiria, fosse por traje ou maneiras, dos outros berlinenses bebericando uma cervejinha ali na Adenauerplatz.
Fica tudo, porém, muito difícil em certas ocasiões, como hoje mesmo. O telefone tocou, atendi, falou um alemão simpático e cerimonioso do outro lado, querendo saber se eu estaria livre para uma palestra no dia 16 de novembro, quarta-feira, às 20:30h. Sei que é difícil para um alemão compreender que esse tipo de pergunta é ininteligível para um brasileiro. Como alguém pode marcar alguma coisa com tanta precisão e antecedência, esses alemães são uns loucos. Mas não quis ser indelicado e, como sempre, recorri a minha mulher.
- Mulher - disse eu, depois de pedir que o telefonador esperasse um bocadinho. - Eu tenho algum compromisso para o dia 16 de novembro, quarta-feira, às 20:30h?
- Você está maluco? - disse ela. - Quem é que pode responder a esse tipo de pergunta?
- Eu sei, mas tem um alemão aqui querendo uma resposta.
- Diga a ele que você responde amanhã.
- E quando ele telefonar amanha? Ele é alemão, ele vai telefonar amanhã, ele não sabe o que quer dizer amanhã.
- Ah, esses alemães são uns loucos. Você é escritor, invente uma resposta poética, diz a ele que a vida é um eterno amanhã.
Achei uma idéia interessante, mas não a usei, apenas disse que ele telefonasse amanhã. Mas claro que não sei o que dizer amanhã e fui dormir preocupado, tanto assim que ainda incomodei minha mulher com uma cotovelada. Afinal, os alemães são organizados, é uma vergonha a gente não poder planejar as coisas tão bem quanto eles. Que é que eu faço?
- Ora - respondeu ela, retribuindo já cotovelada -, pergunte a ele se os alemães planejaram a reunificação para agora. E, se ele for berlinense, pergunte se ele não preferia deixá-la para amanhã.
- Touché - disse eu, puxando o cobertor para cobrir a cabeça e resolvendo que amanhã pensaria no assunto.
(Um brasileiro em Berlim, 1993.)
terça-feira, agosto 03, 2010
Vestida de Mistério
Renúncia
Metamorfose Ambulante

terça-feira, julho 27, 2010
quinta-feira, julho 22, 2010
Aos amigos, os que eu morro de saudades
A base para qualquer relacionamento é confiança.
É bom ter alguém com quem você possa se abrir, alguém que não precisa de nenhum tipo de compromisso com você além de amizade.
Confiança é premissa nas amizades.
Ter amigos é uma dádiva. Ter pessoas que te ligam só pra saber se você está bem, pessoas que te chamam pra uma cerveja quando percebem (em duas palavras no MSN) que você não está legal, pessoas que até dão risada das suas piadas, por piores que elas sejam.
Existem os amigos virtuais, aqueles que você descarrega o mundo quando chega em casa bêbado no sábado à noite… Existem os amigos relapsos (eu me encaixo nesses) que por mais que não estejam constantemente presentes, são aqueles que você pode ligar pra pedir ajuda que eles movem o mundo só pra te ver feliz.
Eu sou uma pessoa muito feliz porque, por mais que não sejamos grudados, sempre que eu sento com qualquer um dos meus amigos, temos as melhores piores conversas do mundo… E cãimbra na mandíbula (se é que isso existe) só eles tem o poder de me dar. Eu mato e morro por eles.
Amo vocês!
domingo, julho 18, 2010
Sedução
quarta-feira, julho 14, 2010
Beauty Full
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segunda-feira, julho 12, 2010
Melancolia
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sábado, julho 10, 2010
Falados, os segredos calam
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Incrível o poder de síntese dessa frase.
.Encontrei-a em meio aos versos de uma música da Marisa Monte. Imediatamente lembrei-me de outro verso, este de Milton Nascimento - "coisas que ficaram muito tempo por dizer / , nas canções do vento não se cansam de voar".
.Fiquei pensando no destino dos segredos não falados, eles não morrem, ficam rondando feito almas penadas, nunca se calam, não se resolvem.. Falta-lhes a claridade e o ar para serem consumidos e transformados no melhor nutriente das relações.
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terça-feira, julho 06, 2010
O Coquetel dos Gênios
quarta-feira, maio 26, 2010
Nem toda mudança precisa ser ruim...
sexta-feira, novembro 06, 2009
Saudade
O menino viajou de férias para Miami. Comprou duas camisas do Lakers, iguais. De volta, tornou à praça onde corriam, de manhã, ele e o Velho. Soube que partira. Desde então, troca sempre a camisa na metade exata da corrida. Por outra igual. Vez em quando, chora. Ninguém lhe entende o motivo. Exceto o Velho, sentado invisível no banco em frente à igreja. Que sorri a cada troca de camisa. E chora junto, a cada lágrima do menino.
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segunda-feira, outubro 19, 2009
Horário de Verão
O insolente horário de verão insiste em esquentar
a cerveja na mesa da calçada. Senti seus olhos
amparando meu seio por detrás do copo. Descansei
meu peito suado na palma do seu olhar.
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quarta-feira, junho 17, 2009
Hiato sentimental
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Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça
Não saia do meu lado
Segure o meu pierrot molhado
E vamos embolar ladeira abaixo
Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver
Venha, veja, deixa, beija, seja
O que deus quiser
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Ainda que ela esqueça
terça-feira, março 24, 2009
Queria morrer um pouquinho
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas
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Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!
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A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento
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Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!
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Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela, corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.
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terça-feira, fevereiro 10, 2009
by Frederick Perls
Eu não estou neste mundo para viver as suas expectativas, e você não está neste mundo para viver as minhas.
Você é você e eu sou eu. [o.Õ]
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Se por acaso nós nos encontrarmos, será ótimo.
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Se não, nada se pode fazer.
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domingo, fevereiro 08, 2009
Os suicidas são os únicos que entenderam a vida?
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quarta-feira, fevereiro 04, 2009
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Eterno retorno
A vida encarrega-se de sanar todas as dívidas, curar as feridas e destruir nossos sonhos mais ingênuos.
Quando te olhei nos olhos uma última vez, não mais encontrei as cores que costumavam preencher o preto e branco que sempre foi minha vida.
Naquelas tardes sempre imaginava quem eu seria... Mas até hoje não consigo me explicar... Jamais imaginei que seria assim.
Meu tempo é sempre o passado, uma palavra já dita, um soneto já executado, minhas idéias são sempre nostálgicas.
Nosso amor acabou, nossa banda desafinou, nossos passos fraquejaram, e é assim mesmo, sou quem sou, temo meus próprios ideais, estes que não guardam lógica alguma. Sou uma procura e a chegada a um lugar que não tem resposta alguma. Mas e daí? Quem tem as respostas?
E já estamos no fim...
2009 e, conforme o tempo passa, mais claro torna-se pra mim o Carpe Diem, que só faz se completar com o Tempus Fugit, uma das frases mais certas que já ouvi na vida... Aproveite o dia, o tempo voa...
.Esse ano não começa com tamanha felicidade como foi há 9 anos, mas não faltam perspectivas.
.Aliás, pensei em algo agora... O que eu considerava a maior das felicidades há nove anos, hoje não é lá tudo isso... Como a vida pode nos tirar essas coisas? A gente vai envelhecendo e nosso horizonte se amplia (não acontece assim pra todos, é fato), e é aí que nossa santa inocência se perde... Inocência no sentido do infantil mesmo... Quando se é mais jovem as coisas menores (mas não menos importantes) fazem mais sentido.
É uma coisa engraçada o ciclo/círculo/circo da vida... Vou tentar explicar melhor dando dois exemplos: A filha de um amigo, com 4 anos, chega perto de mim com um brilho nos olhos, me chamando como se não pudesse esperar nem mais um segundo e diz: "Vem ver que lindo esse sapo".
Segundo exemplo: Uma paciente, onde trabalho, 78 anos, carinhosamente chamada de "vó" por mim, falando das modernidades de hoje em dia, me pergunta: "Será que dá pra encontrar mesmo as pessoas pela internet?". E eu, respondo que às vezes sim, e pergunto o motivo. Então ela: "Porque eu queria encontrar um rapaz que namorei quando era jovem, acabei casando com outro, mas ele me disse que jamais se casaria com ninguém".
.Como é doce a ingenuidade! A garotinha acreditando na beleza, e a vovozinha no amor...
.Então quer dizer que é assim, nascemos agraciados com o dom da ignorância, aí crescemos e nos é revelada a peça que a vida nos pregou: Passamos longos anos rindo pra não chorar (sentido literal), correndo atrás do vento (sentido figurado - para alguns nem tanto, vale dizer), oscilando entre momentos miseráveis de fiasco total e alguns outros de pleno contentamento que servem para manter acesa a chama de que um dia você será feliz... Até que um dia essa chama se torna brasa. Aí você envelhece e o que acontece? O retorno à ingenuidade!
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.T.S.Eliot definiu bem:
"Ao final de nossas longas explorações chegaremos novamento ao lugar de onde partimos e o conheceremos então pela primeira vez."
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.Então, que nesse novo ano, você tenha tranquilidade para viver, que o dinheiro venha como resposta saudável do trabalho que o faz acordar cedo todos os dias, que suas apostas não sejam no outro mas em você mesmo, que a sua felicidade dependa do que você fizer e não do que fizerem com você, que domingos sejam mais do que churrascos gordurosos, que ninguém mude sua vida sem que você consinta, que seus vizinhos gostem de boa música. E, acima de tudo, que você seja muito feliz com a futura pessoa na qual está se transformando.
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