Qual é a sua?

sexta-feira, agosto 06, 2010

Não confio em gente que

Não gosta de cachorro.
Não gosta de criança.
É brigado com todos os ex-namorados.
É amigo de todo mundo.
Sempre diz que tudo está bom.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Instinto

Trabalho, supermercado, imobiliária, retrato.


Tem pose certa. Decote pequeno. Calcinha de algodão. Pouco joelho no chão.


Horário controlado. Trânsito. Teatro. Sem filho. Nem contraceptivos.


Cabelo escovado. Tailleur comportado. Música erudita. Literatura russa.


Frase curta. Pouca pontuação. Muito obrigado, volte sempre, seja bem-vindo.


Sobram regras.


Falta instinto.

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A vida é um eterno amanhã

João Ubaldo Ribeiro, em crônica escrita para um jornal alemão e publicada no livro "Um brasileiro em Berlim", explica o conceito de amanhã:
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As traduções são muito mais complexas do que se imagina. Não me refiro a locuções, expressões idiomáticas, palavras de gíria, flexões verbais, declinações e coisas assim. Isto dá para ser resolvido de uma maneira ou de outra, se bem que, muitas vezes, à custa de intenso sofrimento por parte do tradutor. Refiro-me à impossibilidade de encontrar equivalências entre palavras aparentemente sinônimas, unívocas e univalentes. Por exemplo, um alemão que saiba português responderá sem hesitação que a palavra portuguesa "amanhã" quer dizer "morgen". Mas coitado do alemão que vá para o Brasil acreditando que, quando um brasileiro diz "amanhã", está realmente querendo dizer "morgen". Raramente está. "Amanhã" é uma palavra riquíssima e tenho certeza de que, se o Grande Duden fosse brasileiro, pelo menos um volume teria de ser dedicado a ela e outras, que partilham da mesma condição.

"Amanhã" significa, entre outras coisas, "nunca", "talvez", "vou pensar", "vou desaparecer", "procure outro", "não quero", "no próximo ano", "assim que eu precisar", "um dia destes", "vamos mudar de assunto", etc. e, em casos excepcionalíssimos, "amanhã" mesmo. Qualquer estrangeiro que tenha vivido no Brasil sabe que são necessários vários anos de treinamento para distinguir qual o sentido pretendido pelo interlocutor brasileiro, quando ele responde, com a habitual cordialidade nonchalante, que fará tal ou qual coisa amanhã. O caso dos alemães é, seguramente, o mais grave. Não disponho de estatísticas confiáveis, mas tenho certeza de que nove em cada dez alemães que procuram ajuda médica no Brasil o fazem por causa de "amanhãs" casuais que os levam, no mínimo, a um colapso nervoso, para grande espanto de seus amigos brasileiros - esses alemães são uns loucos, é o que qualquer um dirá.

A culpa é um pouco dos alemães, que, vamos admitir, alimentam um número excessivo de certezas sobre esta vida incerta, número quase tão grande como a quantidade exasperante de preposições que freqüentam sua língua (estou estudando "auf" e "au" no momento, e não estou entendendo nada). São o contrário dos brasileiros, a maior parte dos quais não tem a menor idéia do que estará fazendo na próxima meia hora, quanto mais amanhã.

Talvez tudo se reduza a uma questão filosófica sobre a imanência do ser, o devenir, o princípio de identidade e outros assuntos do quais fingimos entender, em coquetéis desagradáveis onde mentimos a respeito de nossas leituras e nossos tempos na Faculdade. No plano prático, contudo, a coisa fica gravíssima. Se o Brasil tivesse fronteiras com a Alemanha, não digo uma guerra, mas algumas escaramuças já teriam eclodido, com toda a certeza - e a Alemanha perderia, notadamente porque o Brasil não compareceria às batalhas nos horários previstos, confundiria terça-feira com sexta-feira, deixaria tudo para amanhã, falsificaria a assinatura oficial no documento de rendição, receberia a Wehrmacht com batucadas nos momento, mais inadequados e estragaria tudo organizando almoços às seis horas da tarde.

Falo por experiência própria. When in Rome do as the Romans do ditado que deve ter uma versão latina muito mais chique, mas, infelizmente, não disponho aqui de meus livros de citações, para dar a impressão aos leitores de que leio Ovídio e Horácio no original. Mas, em inglês ou em latim, acho esse um pensamento de grande sabedoria e procuro segui-lo à risca, na minha atual condição de berlinense, tanto assim que, não fora minha tez trigueira e meu alemão abestalhado, ninguém me distinguiria, fosse por traje ou maneiras, dos outros berlinenses bebericando uma cervejinha ali na Adenauerplatz.

Fica tudo, porém, muito difícil em certas ocasiões, como hoje mesmo. O telefone tocou, atendi, falou um alemão simpático e cerimonioso do outro lado, querendo saber se eu estaria livre para uma palestra no dia 16 de novembro, quarta-feira, às 20:30h. Sei que é difícil para um alemão compreender que esse tipo de pergunta é ininteligível para um brasileiro. Como alguém pode marcar alguma coisa com tanta precisão e antecedência, esses alemães são uns loucos. Mas não quis ser indelicado e, como sempre, recorri a minha mulher.

- Mulher - disse eu, depois de pedir que o telefonador esperasse um bocadinho. - Eu tenho algum compromisso para o dia 16 de novembro, quarta-feira, às 20:30h?

- Você está maluco? - disse ela. - Quem é que pode responder a esse tipo de pergunta?

- Eu sei, mas tem um alemão aqui querendo uma resposta.

- Diga a ele que você responde amanhã.

- E quando ele telefonar amanha? Ele é alemão, ele vai telefonar amanhã, ele não sabe o que quer dizer amanhã.

- Ah, esses alemães são uns loucos. Você é escritor, invente uma resposta poética, diz a ele que a vida é um eterno amanhã.

Achei uma idéia interessante, mas não a usei, apenas disse que ele telefonasse amanhã. Mas claro que não sei o que dizer amanhã e fui dormir preocupado, tanto assim que ainda incomodei minha mulher com uma cotovelada. Afinal, os alemães são organizados, é uma vergonha a gente não poder planejar as coisas tão bem quanto eles. Que é que eu faço?

- Ora - respondeu ela, retribuindo já cotovelada -, pergunte a ele se os alemães planejaram a reunificação para agora. E, se ele for berlinense, pergunte se ele não preferia deixá-la para amanhã.

- Touché - disse eu, puxando o cobertor para cobrir a cabeça e resolvendo que amanhã pensaria no assunto.

(Um brasileiro em Berlim, 1993.)

terça-feira, agosto 03, 2010

Vestida de Mistério

De mim sei quase nada. Um pedaço de estrela cadente. Vivo em vertigens. Às vezes me assusto.
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Houve um dia em que falei pra Maria: eu te entrego meu coração. Ela fechou as pestanas para baixo, roseou as faces e cruzou as mãos no regaço, quase tímida. Fez um silêncio abissal. Senti um tremor na ponta da alma. Fiquei assim, molhado de aflição, até que ela ergueu o rosto e abriu os olhos repletos de noite estrelada: seu coração pertence só a mim, disse com voz de formigas segredando rotas. Mas eu não aceito o que me pertence enquanto você não vier inteiro.
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Senti uma pontada de agulhas nas costuras do espírito. Agasalhado pela confusão, dei um passo para dentro de mim, em busca do meu verdadeiro eu. Vi muitos cacos no caminho. Pelo avesso sou um quebra-cabeças disperso, sem uma peça encaixada na outra. Só por fora tenho essa aparência de inteireza.
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Perguntei a Maria, agarrado no toco do desespero, morrendo de medo dela esculpir uma verdade verduga: o que te faz assim desconfiada? Ela flamejou os olhos, ergueu o braço e cravou o dedo em minha consciência: seu ciúme! Homem que prende a mulher na fortaleza de cuidados excessivos e desnecessários, e põe vigias a desfilar pelas muradas, armados de pontiagudas desconfianças, não é nem senhor de si, nem senhor de mim. É vento sem direção. Borrifa mágoa por todos os poros. Oferece o coração e fuzila com os olhos, como se os sentimentos, absorvidos pelo vácuo, entrassem em ebulição, soltando a língua maledicente no pasto das inseguranças. Recolha as trevas de suas dúvidas e arme-se com o escudo da fé. Então, descobrirá a confiança e a fidelidade, que brotam do mesmo ramo.
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As palavras de Maria deram um nó em meu coração. Doeu uma dor surda, funda, aquela dor que não é ferimento, mas de quem não suporta a própria nudez entre quatro paredes. Foi então que descobri que os laços que me prendiam à Maria, eram, aos olhos dela, fortes amarras. Julgava que ela me pertencia tanto quanto o cavalo branco que, em noite de lua cheia, galopa no rumo do cume da montanha, à espera de que a lança se solte das mãos de São Jorge.
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Desde aquele dia, deixei de encarar as alianças como algemas. Entrecruzadas revelaram-se símbolos de infinito.
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Agora, já não ofereço o meu coração a Maria. Sei bem que o dela é meu e o meu é dela. Mas ela não sou eu e nem eu sou ela. O que ela é nunca vou saber ao todo, pois todas as vezes que os meus olhos se abrem em núpcias, Maria se apresenta vestida de mistério.
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Renúncia

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Que cada um
Sonhe nas horas vagas
Com coisas que estão muito além
da linha do horizonte
que deseje erguer a ponte
que pode levar o que vem
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E depois, que se conforme
dê desculpas pra ficar
finja ter felicidade
e se abrace à saudade
do que não quis ir buscar
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Metamorfose Ambulante

A relativização dos meus dogmas acontece diariamente. A inconstância é a única regra. As mudanças são perceptíveis a cada novo raiar de sol. Por isto, nunca me conhecerei, porque no momento em que me conhecer já serei outro eu. E esta infinitude de individualidades é a razão de todo o meu sofrimento e alegrias, porque o exterior é sempre o mesmo, mas os meus olhos mudam.

terça-feira, julho 27, 2010



Religião
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olhar para o alto,
tão alto que se tenha
um torcicolo eterno
e nunca mais se possa
olhar direto para o próximo.
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quinta-feira, julho 22, 2010

Aos amigos, os que eu morro de saudades

A base para qualquer relacionamento é confiança.

É bom ter alguém com quem você possa se abrir, alguém que não precisa de nenhum tipo de compromisso com você além de amizade.

Confiança é premissa nas amizades.

Ter amigos é uma dádiva. Ter pessoas que te ligam só pra saber se você está bem, pessoas que te chamam pra uma cerveja quando percebem (em duas palavras no MSN) que você não está legal, pessoas que até dão risada das suas piadas, por piores que elas sejam.

Existem os amigos virtuais, aqueles que você descarrega o mundo quando chega em casa bêbado no sábado à noite… Existem os amigos relapsos (eu me encaixo nesses) que por mais que não estejam constantemente presentes, são aqueles que você pode ligar pra pedir ajuda que eles movem o mundo só pra te ver feliz.

Eu sou uma pessoa muito feliz porque, por mais que não sejamos grudados, sempre que eu sento com qualquer um dos meus amigos, temos as melhores piores conversas do mundo… E cãimbra na mandíbula (se é que isso existe) só eles tem o poder de me dar. Eu mato e morro por eles.

Amo vocês!

domingo, julho 18, 2010

Sedução

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Estava escutando os versos de Itamar (Assumpção): "pensei em seduzir você, domesticando elefantes..."
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Fiquei pensando no ato de seduzir. A palavra é pesada para alguns, mas o sentido maior é encantar, convencer, provocar admiração, sensualizar.
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Cheguei à conclusão que seduzir é o oposto de impor. Não existe outra forma, em uma relação ou discussão, para mudar a posição de alguém: ou força ou sedução. Seduzir, então, é usar nossos recursos - retórica, argumentos, charme, criatividade, emoção - para fazer ver o que não está evidente de cara. Mesmo em temas ditos racionais, é a capacidade de surpreender, de ser enfático, que encerra realmente a discussão. Não há mudança de opinião que não passe pela emoção das pessoas.
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Seduzir é isso. Uma evolução antropológica, em que o mais forte não é mais o que tem o porrete maior, e sim aquele que toca mais fundo à imaginação e ao coração.
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quarta-feira, julho 14, 2010

Beauty Full

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Pra mim, Cortázar, algumas manhãs e algumas luas. Certas músicas associadas a certos momentos. Estar só e em paz. A risada de Melissa. O olhar de travessura de Khal-El. A sintonia das amizades. O amor de algumas pessoas pelo seu trabalho, a curiosidade. Tempo para jogar conversa fora.
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E pra você, o que é realmente lindo?
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segunda-feira, julho 12, 2010

Melancolia

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Inércia, taquicardia de chuva, noite de calor. Falta do que fazer, desinteresse pelo que se faz. Dúvida do que se quer, certeza de não querer o que se tem. Temor pelo que está por vir, medo de que nada aconteça. Meio de um filme ruim, final de um filme bom. Falta de assunto no elevador, conversa interminável ao telefone. Sono que não vem, despertador que toca às seis da manhã.
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Silêncio quando se está sozinho, barulho quando se quer ficar só. Medo de escuro, claridade que incomoda. Ônibus que demora a passar, viagem cansativa. Rua sem saída, sinal vermelho. Abstinência sexual, sexo com um estranho. Telefone que não toca, ligações de engano. Ninguém para conversar, visitas inconvenientes. Papel em branco, lápis sem ponta. Planos para o futuro, lembranças do passado. Paixão não correspondida, amor de quem não interessa. Saudade de quem está longe, ausência de quem está perto.
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sábado, julho 10, 2010

Falados, os segredos calam

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Incrível o poder de síntese dessa frase.
.Encontrei-a em meio aos versos de uma música da Marisa Monte. Imediatamente lembrei-me de outro verso, este de Milton Nascimento - "coisas que ficaram muito tempo por dizer / , nas canções do vento não se cansam de voar".
.Fiquei pensando no destino dos segredos não falados, eles não morrem, ficam rondando feito almas penadas, nunca se calam, não se resolvem.. Falta-lhes a claridade e o ar para serem consumidos e transformados no melhor nutriente das relações.
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terça-feira, julho 06, 2010

O Coquetel dos Gênios

E então, no meio daquele coquetel de inauguração de qualquer coisa, entre uma mulher que conta a novela e um homem que cita Peter Drucker*, fazendo o opossível para não ser visto pela grande senhora que há pouco o ameaçou com uma nova teoria de comunicação que traz escondida entre os seios, você procura alívio numa bandeja que passa. Confortai-me com canapés que desfaleço de banalidades.
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E pensar que aquela mesma espécie já dera tantos gênios. Compositores, pintores, escritores, pensadores... Se fosse possível reuní-los todos num imenso coquetel... que vitalidade! que brilho! principalmente, que conversa!
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Imaginemos que aqueles dois ali, em vez de serem um empresário notoriamente analfabeto e um político que fala português de anedota, fossem, digamos, Beethoven e Vincent van Gogh. Aproximemo-nos para ouvir o que dizem os gênios.
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Van Gogh aponta para um dos seus ouvidos.
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- Fala neste aqui que com o outro eu não escuto.
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E Beethoven:
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- Hein?
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- Fala no outro ouvido. Desse lado eu não escuto nada.
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- O quê?
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- Hein?
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- Como?
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- O outro ouvido! O outro ouvido!
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Está bem, não é um bom exemplo. O Picasso chegaria de bermudas, beliscando as mulheres. Também não serve. De repente bateriam à porta, o mordomo iria abrir e não veria ninguém. Fecharia a porta, intrigado, ouviria batidas outra vez, abriria de novo e então ouviria uma voz vindo de baixo:
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- Sou eu, seu filho de um cão sarnento com uma faxineira de Antuérpia!
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É Toulouse-Lautree, mal-humorado. Mais tarde Willian Faulkner, a caminho do seu décimo "bourbon", tropeçará nele e cairá ao comprido no tapete, aos pés de Oscar Wilde, que, girando seu absinto no copo, dirá:
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- Gosto de ter admiradores, mas isso é ridículo.
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- Aposto que eles ensaiaram isso antes - dirá Bernard Shaw para Sócrates, ao seu lado. Este olha com desconfiança para o copo que tem na mão.
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- O que será que estão me dando? - pergunta Sócrates.
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- Se não é scotch é porcaria - sentencia Shaw.
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- A última bebida que me deram era cicuta.
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O rosto de Shaw se ilumina com a deixa.
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- Cicuta, pra mim, é um veneno.
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Shaw sai de grupo em grupo para contar a própria frase, às gargalhadas, mas a repercussão não é boa. Kant e Vitor Hugo se desentenderam por alguma razão, trocaram insultos e o ambiente ficou pesado. E Wagner, martelando no piano com as duas mãos abertas, não está ajudando em nada. Beethoven é o único que não se incomoda. Van Gogh tapa uma orelha. Salvador Dali tapa os olhos para não ouvir.
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Ouve-se um grito de trás de uma porta fechada. A porta se abre e uma mulher seminua sai correndo. Minutos depois, pela mesma porta, aparece, ajeitando a gravata, o Marquês de Sade e explica:
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- Não é o que vocês estão pensando. Nós estávamos tendo uma discussão filosófica na cama e aí surgiu um hindu louco e puxou o lençol.
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Por trás do Marquês aparece Mahatma Ghandi, envolto no lençol e pedindo desculpas:
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- É que derramei Coca-Cola na minha outra roupa e...
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Hemingway, rodeado por simbolistas franceses e segurando o copo como uma granada, argumenta:
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- Eu (obscenidade) no leite do Simbolismo. Eu (obscenidade) no leite das proparoxítonas maricas.
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Aristóteles, que tem um copo de leite na mão, afasta-se prudentemente.
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Não, pensa você, mastigando um quadradinho de pão coberto com uma pasta vagamente marinha. Seria ótimo ouvir os gênios, mas um a um. Não num coquetel. Definitivamente, não num coquetel.
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*Economista austríaco, autor de livros revolucionários, sobre administração e gestão empresarial.

quarta-feira, maio 26, 2010

Nem toda mudança precisa ser ruim...

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Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constróem moinhos de vento.
Érico Veríssimo
P.S.: Nota mental surgindo como post.
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sexta-feira, novembro 06, 2009

Saudade

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O menino viajou de férias para Miami. Comprou duas camisas do Lakers, iguais. De volta, tornou à praça onde corriam, de manhã, ele e o Velho. Soube que partira. Desde então, troca sempre a camisa na metade exata da corrida. Por outra igual. Vez em quando, chora. Ninguém lhe entende o motivo. Exceto o Velho, sentado invisível no banco em frente à igreja. Que sorri a cada troca de camisa. E chora junto, a cada lágrima do menino.
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segunda-feira, outubro 19, 2009

Horário de Verão

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O insolente horário de verão insiste em esquentar
a cerveja na mesa da calçada. Senti seus olhos
amparando meu seio por detrás do copo. Descansei
meu peito suado na palma do seu olhar.
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quarta-feira, junho 17, 2009

Hiato sentimental

O que o Caetano queria dizer quando escreveu o verso "Segure o meu pierrot molhado", da música Chuva, Suor e Cerveja?
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Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça
Não saia do meu lado
Segure o meu pierrot molhado
E vamos embolar ladeira abaixo
Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver
Venha, veja, deixa, beija, seja
O que deus quiser
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Ainda que ela esqueça

que ela finja que nada aconteceu, ainda que ela consiga olhar dentro dos olhos dele e não lembrar da quantidade de água que saiu dos dela por culpa dele, ainda que ela não ouça mais certas músicas e lembre dele, ainda que a raiva que ela sente da idiotice que ele fez passe, ainda que ela não queira mais se esconder, que não se importe em contar pra ele como está a sua vida, que ela não tenha medo dele estragá-la, ainda que ela volte a se sentir dele, que ela não sinta mais vontade de nunca mais olhar pra ele, ainda que ela não ache mais que ela pode ser feliz com outras pessoas ou sozinha, mas só com ele, ainda que ela olhe pra ele e pense que ela não deveria sentir o que ela sente, que ela deveria ser maior do que tudo isso, que ela deveria deixar pra lá, aí ainda que ouvir o nome dele volte a colocar um sorriso no seu rosto, ainda que o mundo acabe, existirá sempre esse abismo enorme entre os dois, que é a diferença infinita da definição de amor dela para a dele.

terça-feira, março 24, 2009

Queria morrer um pouquinho

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas
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Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!
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A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento
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Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!
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Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela, corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.
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terça-feira, fevereiro 10, 2009

by Frederick Perls

.Eu faço minhas coisas, e você faz as suas.
Eu não estou neste mundo para viver as suas expectativas, e você não está neste mundo para viver as minhas.
Você é você e eu sou eu. [o.Õ]
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Se por acaso nós nos encontrarmos, será ótimo.
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Se não, nada se pode fazer.
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domingo, fevereiro 08, 2009

Pensamento cretino do dia


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Para mim, jogar a
toalha não é desistir,
é ficar pelado.

Os suicidas são os únicos que entenderam a vida?

Em julho de 1974, uma jornalista, âncora de um tele-jornal da Flórida suicidou-se enquanto o programa estava no ar.(!) Seu bilhete suicida dizia apenas como ela estava descontente com o fato das pessoas (inclusive a imprensa) darem mais valor às notícias sobre tragédias. Em sua carta, dizia que não havia mais nada a ser dito. Ela simplesmente começou o programa sentada à mesa como em qualquer tele-jornal, tirou a arma e atirou em sua cabeça. Os produtores do programa acharam que tratava-se de uma brincadeira, sua família brigou na justiça para proibir a emissora de veicular o vídeo de seu suicídio. Ainda bem que não havia YouTube naquela época.
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2003. Jonathan Brandis, protagonista de História Sem Fim e do seriado Seaquest, é encontrado enforcado em sua casa. Ele tinha 27 anos. À época, sua amiga de infância conta que quando adolescente Jonathan conversava sobre os rockstars que morreram com 27 anos e de como isso era ao mesmo tempo assustador e poético. O jovem ator suicidou-se de uma forma totalmente absurda. Nesse caso, não houve acidente.
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Isso me lembrou uma música de uma banda incomum de um país muito incomum.
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Anthony caminhou para sua morte porque acreditava que jamais se
sentiria desta forma
Talvez se voltasse atrás as coisas seriam ainda piores, o que ele poderia fazer?
Ele gostaria de se lembrar de como as coisas eram naquela quarta-feira
E, se acaso havia algo de ruim por trás de tudo, ele nunca disse
Talvez por achar melhor viver hoje o amanhã que sonhava...
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Hilary caminhou para sua morte porque não tinha mais nada a dizer
Todos achavam que ela era forte demais então nunca prestaram atenção
E como ninguém dizia nada de interessante, ela desistiu
Tentou frequentar os templos e os estudos da bíblia
Mas somente o intervalo do chá a interessava
O intervalo do chá, ela não admitiria
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Hilary buscou a igreja católica para saber sobre seu destino
O padre ou seja lá quem ele fosse, a chamou numa sala e lhe confirmou
Santa Tereza prometeu salvá-la
Mas Isabel só pensava em como os vitrais eram belos
E, se havia algo além disso
Ela só queria saber
Como, por que e para onde ir?
Como, por que e para onde deveria seguir?
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Se você se sente ameaçado
Procure um Padre ou Pastor
Ele tentará em vão livrá-lo da dor
De ser um incrédulo sem esperança...
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quarta-feira, fevereiro 04, 2009

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Eu tenho medo
de ir para o céu
e ver
só gente rezando
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De ir para o inferno
e ver só gente
vendo televisão.

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segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Eterno retorno

Sempre que venho aqui volto a lembrar. Não foi minha intenção te deixar, mas a vida segue mesmo assim. Lembro-me daquela praça e de nossas tardes tecendo frases de efeito; as promessas quebradas e os beijos roubados, nossa paixão reprimida, nosso amor idealizado. Hoje nossos corpos não ocupam o mesmo lugar em nenhum espaço e apesar de ainda lembrar, sinto que estas palavras perdem-se em meu pobre discurso contraditório, estas frases jamais o tocarão. Continuo cantando nossas canções, além daquelas que imagino que cantas pensando em mim. Nossas notas não se encontram mais, nossos acordes nunca produziram aquela melodia que procurávamos cantar a sós.
A vida encarrega-se de sanar todas as dívidas, curar as feridas e destruir nossos sonhos mais ingênuos.
Quando te olhei nos olhos uma última vez, não mais encontrei as cores que costumavam preencher o preto e branco que sempre foi minha vida.
Naquelas tardes sempre imaginava quem eu seria... Mas até hoje não consigo me explicar... Jamais imaginei que seria assim.
Meu tempo é sempre o passado, uma palavra já dita, um soneto já executado, minhas idéias são sempre nostálgicas.
Nosso amor acabou, nossa banda desafinou, nossos passos fraquejaram, e é assim mesmo, sou quem sou, temo meus próprios ideais, estes que não guardam lógica alguma. Sou uma procura e a chegada a um lugar que não tem resposta alguma. Mas e daí? Quem tem as respostas?




E já estamos no fim...

... da primeira década dos anos 2000..
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.Primeira parte do post removida, por ter sido escrita em intenso estado de insanidade.
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De lá pra cá, grandes momentos, altos e baixos. Conquistas, derrotas, perdas... Lembro de cada detalhe como se fosse hoje
2009 e, conforme o tempo passa, mais claro torna-se pra mim o Carpe Diem, que só faz se completar com o Tempus Fugit, uma das frases mais certas que já ouvi na vida... Aproveite o dia, o tempo voa...
.Esse ano não começa com tamanha felicidade como foi há 9 anos, mas não faltam perspectivas.
.Aliás, pensei em algo agora... O que eu considerava a maior das felicidades há nove anos, hoje não é lá tudo isso... Como a vida pode nos tirar essas coisas? A gente vai envelhecendo e nosso horizonte se amplia (não acontece assim pra todos, é fato), e é aí que nossa santa inocência se perde... Inocência no sentido do infantil mesmo... Quando se é mais jovem as coisas menores (mas não menos importantes) fazem mais sentido.
É uma coisa engraçada o ciclo/círculo/circo da vida... Vou tentar explicar melhor dando dois exemplos: A filha de um amigo, com 4 anos, chega perto de mim com um brilho nos olhos, me chamando como se não pudesse esperar nem mais um segundo e diz: "Vem ver que lindo esse sapo".
Segundo exemplo: Uma paciente, onde trabalho, 78 anos, carinhosamente chamada de "vó" por mim, falando das modernidades de hoje em dia, me pergunta: "Será que dá pra encontrar mesmo as pessoas pela internet?". E eu, respondo que às vezes sim, e pergunto o motivo. Então ela: "Porque eu queria encontrar um rapaz que namorei quando era jovem, acabei casando com outro, mas ele me disse que jamais se casaria com ninguém".
.Como é doce a ingenuidade! A garotinha acreditando na beleza, e a vovozinha no amor...
.Então quer dizer que é assim, nascemos agraciados com o dom da ignorância, aí crescemos e nos é revelada a peça que a vida nos pregou: Passamos longos anos rindo pra não chorar (sentido literal), correndo atrás do vento (sentido figurado - para alguns nem tanto, vale dizer), oscilando entre momentos miseráveis de fiasco total e alguns outros de pleno contentamento que servem para manter acesa a chama de que um dia você será feliz... Até que um dia essa chama se torna brasa. Aí você envelhece e o que acontece? O retorno à ingenuidade!
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T.S.Eliot definiu bem:
"Ao final de nossas longas explorações chegaremos novamento ao lugar de onde partimos e o conheceremos então pela primeira vez."
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Então, que nesse novo ano, você tenha tranquilidade para viver, que o dinheiro venha como resposta saudável do trabalho que o faz acordar cedo todos os dias, que suas apostas não sejam no outro mas em você mesmo, que a sua felicidade dependa do que você fizer e não do que fizerem com você, que domingos sejam mais do que churrascos gordurosos, que ninguém mude sua vida sem que você consinta, que seus vizinhos gostem de boa música. E, acima de tudo, que você seja muito feliz com a futura pessoa na qual está se transformando.
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